Percebi que todo o dia é dia.
Toda a hora é hora.

Você não está entendendo nada?
Então senta que lá vem a história...

Sempre penso na vida como um dia de cada vez.
Claro que planejo e penso no futuro, claro que rio e lembro do passado, mas preciso viver meu dia-a-dia.

Já caminhei por muitas ruas em Porto Alegre, caminhei mesmo...
Ruas que não sei o nome...
Ruas belas, feias ruas.

A história de nossa vida é escrita pelas ruas que andamos.
Qualquer rua é rua, dirá alguém, mas não existe qualquer rua ou uma rua qualquer.
Mesmo quando caminhamos sem direção, caminhamos para a frente.

Todas as ruas são iguais.
Para quem passa apressado por elas, sem olhar em volta, assim como os dias.
Qualquer rua é a vida que tomamos.
Podemos repetir as ruas, mas são sempre diferentes, sempre tem algo diferente.

Assim como os dias.

Se minhas ruas me parecem iguais, algo está errado.
Se meus dias são iguais, algo está errado.

Qualquer rua.
Nunca será igual.
Se eu quiser ter histórias para viver e contar.
Nenhuma rua é igual, quando não estamos sozinhos.

Nossa vida não se repete se caminhamos sempre, mesmo cansados.
Pois se sentamos em qualquer rua, viramos expectadores, deixando a vida passar por nós.